Carta do Dr. Francisco Crespo (médico)

A minha posição em relação à eutanásia resultou de um amadurecimento/reflexão durante 3 anos.

1- O valor mais fundamental da condição humana é o direito à liberdade

2 – Todos os cidadãos têm direito portanto às suas livres opções culturais, afectivas, religiosas, políticas….

3- Daqui resulta que o direito à eutanásia tem de respeitar a liberdade individual dessas opções, pelo sim e pelo não

4-Os crentes dizem que a vida é uma dádiva de Deus, portanto o dono da vida é o próprio.

5- Temos também que reflectir o porquê o direito de se obrigarem cidadãos a irem para a guerra , subentendendo-se  a legitimidade de matar

Destas reflexões conjugadas, neste momento não tenho dúvidas sobre o direito de cada um, em lucidez demonstrável, poder decidir pedir ajuda para acabar com a vida.

Quando se invoca o juramento de Hipócrates temos que ter presente que o cerne desse juramento é a defesa do doente no direito à saúde, à diminuição do sofrimento, físico e psíquico.

Por esse motivo eu como médico tenho a responsabilidade, de com a constante actualização científica promover a saúde, nos casos de doença já estabelecida tentar curar , melhorar ou diminuir  o sofrimento dos doentes. Tem todo o sentido melhoramos os cuidados continuados e paliativos, para ajudarmos os doentes a terem a melhor qualidade de vida e apoio humanos, até  ajudá-los a morrer com dignidade e afecto, numa morte natural, se é essa a sua vontade.

Eu como médico sempre fui um lutador pela vida dos doentes e posso afirmá-lo tranquilamente, pois todos os doentes têm o meu telefone e podem ligar-me as 24 horas e desde que me formei e estou ao dispor para os ajudar. Agora nunca poderei desrespeitar a liberdade dos doentes.

Em relação à decisão de pôr fim à vida temos vários pressupostos que o doente pode ter:

– Muitas dores, o que nós hoje quase sempre conseguimos evitar

– O doente saber que tem um limite temporal de vida curta e não querer continuar a viver sem futuro a curto ou médio prazo

– O doente ter uma doença degenerativa, ainda que sem sofrimento físico, mas que progressivamente ou definitivamente o impede de autonomia na mobilidade , ou melhor,manter o raciocínio mas sem mais outra actividade. Esta parece-me a situação mais difícil de suportar, com imobilização progressiva mantendo a lucidez e sem reversão da doença.

Em face destas reflexões optei por defender o direito livre à eutanásia decidida em perfeito estado de consciência, demonstrável por grupo de profissionais de saúde.

16 fevereiro 2017

Francisco Crespo

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